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A eletromobilidade requer quebra de paradigmas

A qualidade do transporte urbano nas maiores cidades brasileiras está em cheque, e a melhoria dos sistemas de transporte é urgente.  Evoluir para sistemas de transporte urbano eficientes em qualidade e custo, e que ainda sejam amigáveis com o meio ambiente requer mudança de paradigmas. Envolve muito mais que o custo de novas tecnologias, menor consumo de combustível e emissões de poluentes.  É necessário que a decisão de realmente privilegiar o transporte coletivo para oferecer ao cidadão um transporte de qualidade seja efetivamente tomada.

A adoção de novas tecnologias no sistema de transporte não é tão simples como na telefonia, por exemplo. Não é como sair de um telefone fixo para um móvel, em que o benefício da mobilidade é imediato e evidente.  A troca de um ônibus por outro, com uma tecnologia mais avançada e menos poluente, por si só, não muda a vida do cidadão, usuário ou não do transporte coletivo. O benefício não é percebido,pois o ônibus continua circulando submetido ao mesmo padrão vigente.

Para que esta mudança seja perceptível é preciso uma alteração estrutural, que garanta menor tempo de viagem, melhor frequência, conforto, pontualidade e segurança.  Vontade política das autoridades e consenso da população a favor da maioria são indispensáveis.

Há um risco, porém. Quando implantadas pela metade, as alterações na infraestrutura causam mais prejuízos que benefícios.  Desfiguram a ideia, o cidadão não as reconhece como algo positivo e ainda geram o mesmo transtorno que as obras de infraestrutura necessárias à sua completa implementação causariam.  O subproduto dessa estratégia danosa é a descrença e a frustração da sociedade.

Ao mesmo tempo em que esta discussão emerge, as montadoras disponibilizam veículos menos poluentes e com maior capacidade de transporte, como os ônibus articulados, biarticulados, híbridos e elétricos.

Dentre as soluções que podem advir da evolução dos veículos está a eletromobilidade.  Apesar do termo ainda ser novo, a tecnologia híbrida e elétrica já é uma realidade inconteste para automóveis, caminhões e ônibus. No caso dos ônibus, o híbrido da Volvo é uma solução em que o menor custo da operação, devido principalmente à redução de até 35% no consumo de combustível, compensa os custos da tecnologia, ao mesmo tempo em que beneficia fortemente o meio ambiente, não somente em relação às emissões, mas também pela redução de ruído.

Nós estamos investindo pesadamente no desenvolvimento de ônibus híbridos – elétrico e diesel –  para os sistemas de transporte urbano.  Tivemos a ousadia de anunciar que vamos reduzir a oferta de ônibus urbanos movidos somente a diesel na Europa em 2014. Estas decisões estão atreladas à visão da companhia de que haverá uma inversão na matriz energética do transporte urbano em um período de dez anos.

Algumas cidades da América Latina já tomaram a decisão de adotar ônibus híbridos, mais econômicos e 50% menos poluentes em seus sistemas de transporte urbano.  Em Curitiba, os primeiros 30 ônibus híbridos Volvo estão em circulação desde setembro de 2012. No início de 2014, 200 ônibus híbridos da marca começam a circular em Bogotá, na Colômbia.  Outras cidades do Brasil e da América Latina também estão encarando seriamente esta possibilidade. O final de 2014 mostrará uma amplitude maior na adoção dessa tecnologia.

Sabemos que quebrar paradigmas não é tarefa fácil, e nos orgulhamos de tê-lo feito diversas vezes ao longo da nossa história.  Já percorremos esse caminho com a produção dos ônibus articulados no Brasil (ao introduzimos a eletrônica embarcada nos chassis) e quando desenvolvemos o veículo biarticulado, modelo que nos coloca, até hoje, na posição de únicos fabricantes da América Latina.

Em todos esses momentos o grau de inovação apresentado provocou, também, uma radical mudança no modelo de negócio. A criação do primeiro BRT ( Bus Rapid Transit, ou sistema organizado de transporte coletivo urbano, com vias segregadas para ônibus) ao final da década de 80 em Curitiba propiciou a operação efetiva de ônibus articulados. Dez anos depois, para a evolução deste mesmo BRT, foi pensada a solução que criou o ônibus biarticulado. A incorporação dos biarticulados ao sistema proporcionou à operação maior capacidade de transporte, com o aumento de 20 mil passageiros por hora e por sentido na década de 90, para até 48 mil passageiros por hora e por sentido atualmente nos BRTs implementados em sua totalidade, como o de Bogotá, na Colômbia. Este ganho de escala também permite um menor custo de operação, uma vez que o mesmo número de veículos transporta um maior número de pessoas.

Quebrar paradigmas dá trabalho. É preciso provar a operadores, autoridades e usuários que estamos ofertando soluções vantajosas e que estabelecem um novo modelo de transporte e de negócios, não apenas do ponto de vista econômico, mas também do ponto de vista ambiental.  Em última análise, quem ganha com tudo isso é a sociedade através da sensível melhoria na qualidade de vida de seus cidadãos.

*Luis Carlos Pimenta é presidente da Volvo Bus Latin America

 

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